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25/07/2008 - 06:24

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Circular: “O senhor acha que o mundo herdado por seus filhos é…

Pior. Muito pior. Meu filho mais velho tem 43 anos, o mais novo fará 15 daqui a duas semanas. Quando eu tinha a idade deles, sexo era uma grande aventura. Estava lá à sua espera, era aberto, tudo o que se necessitava era ter um certo espírito empreendedor e não temer o fantasma de algum medo religioso no fundo do seu inconsciente. Havia a idéia de que um mundo melhor estava tomando forma, de que o pior já tinha passado. A Segunda Guerra tinha acabado havia pouco e tinha sido uma guerra ‘boa’, em que todo o país acreditara, sem a amarga divisão que aconteceria depois com a Guerra do Vietnã. Hoje meus filhos vivem num mundo em que os jovens se vêem obrigados a pagar pelo déficit que Ronald Reagan nos deixou e os 20 anos sem sentido em que a guerra fria foi espichada. Nós não derrotamos os soviéticos na guerra fria: nós os arruinamos economicamente. Foi um trabalho feio, sujo e desagradável. Também em contraste com a vida de meus filhos, cresci num mundo sem televisão. Isso foi maravilhoso, pois permitiu que minha mente se desenvolvesse sem limites, sem ser interrompida a cada sete minutos por comerciais. Parte dos problemas econômicos do mundo é causada pela inércia diante da televisão. Criadas diante da televisão, as gerações estão crescendo sem aprender a concentrar-se, porque a cada cinco ou dez minutos são interrompidas por um jab na cabeça. Essa é a razão por que as crianças de hoje mal podem ler, não sabem soletrar, não conseguem somar sem a ajuda de uma calculadora. Tudo isso resulta em adultos incapacitados para o trabalho. Televisão é uma doença que não tínhamos na nossa época. Há várias outras, como o esmagamento do espírito. Ele acontece quando se está andando por uma rua e a visão de um arranha-céu nos diz: ‘Sua vida vai ser um nada’. Não tínhamos isso. Charmosas, tristes, bonitas ou feias, as ruazinhas que tínhamos eram cheias de personalidade e vida. Cresci em ruas assim, onde os vizinhos tinham rosto e nome. Por tudo isso posso dizer que a minha vida foi, de longe, muito melhor que a dos meus filhos.” (Norman Mailer, em entrevista ao jornal O Globo, publicada em 20 de março de 1983).

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25/07/2008 - 06:24

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Circular: “O senhor acha que o mundo herdado por seus filhos é…

Pior. Muito pior. Meu filho mais velho tem 43 anos, o mais novo fará 15 daqui a duas semanas. Quando eu tinha a idade deles, sexo era uma grande aventura. Estava lá à sua espera, era aberto, tudo o que se necessitava era ter um certo espírito empreendedor e não temer o fantasma de algum medo religioso no fundo do seu inconsciente. Havia a idéia de que um mundo melhor estava tomando forma, de que o pior já tinha passado. A Segunda Guerra tinha acabado havia pouco e tinha sido uma guerra ‘boa’, em que todo o país acreditara, sem a amarga divisão que aconteceria depois com a Guerra do Vietnã. Hoje meus filhos vivem num mundo em que os jovens se vêem obrigados a pagar pelo déficit que Ronald Reagan nos deixou e os 20 anos sem sentido em que a guerra fria foi espichada. Nós não derrotamos os soviéticos na guerra fria: nós os arruinamos economicamente. Foi um trabalho feio, sujo e desagradável. Também em contraste com a vida de meus filhos, cresci num mundo sem televisão. Isso foi maravilhoso, pois permitiu que minha mente se desenvolvesse sem limites, sem ser interrompida a cada sete minutos por comerciais. Parte dos problemas econômicos do mundo é causada pela inércia diante da televisão. Criadas diante da televisão, as gerações estão crescendo sem aprender a concentrar-se, porque a cada cinco ou dez minutos são interrompidas por um jab na cabeça. Essa é a razão por que as crianças de hoje mal podem ler, não sabem soletrar, não conseguem somar sem a ajuda de uma calculadora. Tudo isso resulta em adultos incapacitados para o trabalho. Televisão é uma doença que não tínhamos na nossa época. Há várias outras, como o esmagamento do espírito. Ele acontece quando se está andando por uma rua e a visão de um arranha-céu nos diz: ‘Sua vida vai ser um nada’. Não tínhamos isso. Charmosas, tristes, bonitas ou feias, as ruazinhas que tínhamos eram cheias de personalidade e vida. Cresci em ruas assim, onde os vizinhos tinham rosto e nome. Por tudo isso posso dizer que a minha vida foi, de longe, muito melhor que a dos meus filhos.” (Norman Mailer, em entrevista ao jornal O Globo, publicada em 20 de março de 1983).

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Pior. Muito pior. Meu filho mais velho tem 43 anos, o mais novo fará 15 daqui a duas semanas. Quando eu tinha a idade deles, sexo era uma grande aventura. Estava lá à sua espera, era aberto, tudo o que se necessitava era ter um certo espírito empreendedor e não temer o fantasma de algum medo religioso no fundo do seu inconsciente. Havia a idéia de que um mundo melhor estava tomando forma, de que o pior já tinha passado. A Segunda Guerra tinha acabado havia pouco e tinha sido uma guerra ‘boa’, em que todo o país acreditara, sem a amarga divisão que aconteceria depois com a Guerra do Vietnã. Hoje meus filhos vivem num mundo em que os jovens se vêem obrigados a pagar pelo déficit que Ronald Reagan nos deixou e os 20 anos sem sentido em que a guerra fria foi espichada. Nós não derrotamos os soviéticos na guerra fria: nós os arruinamos economicamente. Foi um trabalho feio, sujo e desagradável. Também em contraste com a vida de meus filhos, cresci num mundo sem televisão. Isso foi maravilhoso, pois permitiu que minha mente se desenvolvesse sem limites, sem ser interrompida a cada sete minutos por comerciais. Parte dos problemas econômicos do mundo é causada pela inércia diante da televisão. Criadas diante da televisão, as gerações estão crescendo sem aprender a concentrar-se, porque a cada cinco ou dez minutos são interrompidas por um jab na cabeça. Essa é a razão por que as crianças de hoje mal podem ler, não sabem soletrar, não conseguem somar sem a ajuda de uma calculadora. Tudo isso resulta em adultos incapacitados para o trabalho. Televisão é uma doença que não tínhamos na nossa época. Há várias outras, como o esmagamento do espírito. Ele acontece quando se está andando por uma rua e a visão de um arranha-céu nos diz: ‘Sua vida vai ser um nada’. Não tínhamos isso. Charmosas, tristes, bonitas ou feias, as ruazinhas que tínhamos eram cheias de personalidade e vida. Cresci em ruas assim, onde os vizinhos tinham rosto e nome. Por tudo isso posso dizer que a minha vida foi, de longe, muito melhor que a dos meus filhos.” (Norman Mailer, em entrevista ao jornal O Globo, publicada em 20 de março de 1983).

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02/06/2008 - 06:01

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Circular: “Qual é a importância do estilo?

Estilo? O estilo é como um abraço. Se eu tivesse de escolher um estilo, eu acho que um homem que escreve melhor que eu é William Burroughs. Acho que ele vai permanecer por muito tempo depois de mim porque ele é mais intenso. Ele tem uma qualidade que eu não tenho. Quero dizer, escrevo frases que abraçam as pessoas. Mas ele escreve frases que esfaqueiam as pessoas e você nunca esquece o homem que te esfaqueia. Você pode esquecer um abraço” (Norman Mailer, em entrevista a Eve Auchincloss e Nancy Lynch, em “A Arte da Entrevista”, organização de Fábio Altman)

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02/06/2008 - 06:01

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Circular: “Qual é a importância do estilo?

Estilo? O estilo é como um abraço. Se eu tivesse de escolher um estilo, eu acho que um homem que escreve melhor que eu é William Burroughs. Acho que ele vai permanecer por muito tempo depois de mim porque ele é mais intenso. Ele tem uma qualidade que eu não tenho. Quero dizer, escrevo frases que abraçam as pessoas. Mas ele escreve frases que esfaqueiam as pessoas e você nunca esquece o homem que te esfaqueia. Você pode esquecer um abraço” (Norman Mailer, em entrevista a Eve Auchincloss e Nancy Lynch, em “A Arte da Entrevista”, organização de Fábio Altman)

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Estilo? O estilo é como um abraço. Se eu tivesse de escolher um estilo, eu acho que um homem que escreve melhor que eu é William Burroughs. Acho que ele vai permanecer por muito tempo depois de mim porque ele é mais intenso. Ele tem uma qualidade que eu não tenho. Quero dizer, escrevo frases que abraçam as pessoas. Mas ele escreve frases que esfaqueiam as pessoas e você nunca esquece o homem que te esfaqueia. Você pode esquecer um abraço” (Norman Mailer, em entrevista a Eve Auchincloss e Nancy Lynch, em “A Arte da Entrevista”, organização de Fábio Altman)

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