Arquivo de ‘Jornalismo’ Categoria
23/11/2009 - 06:30h
Grimod de la Reynière e a gastronomia francesa do século 19
Uma das matérias mais lidas do fim de semana no New York Times é sobre gastronomia — e foi publicada no suplemento de turismo: “Liberty, Equality, Gastronomy: Paris via a 19th-Century Guide“. “Um viajante obcecado por comida usa um guia gastronômico da era Napoleônica para explorar as maravilhas da culinária de Paris no século 21″. O guia mencionado é um dos escritos por Alexandre-Balthazar-Laurent Grimod de la Reynière, um aristocrata que pode ser considerado um dos precursores do jornalismo gastronômico. Acima, uma pintura no Musée Carnavalet que mostra — acredita-se — a figura de Grimod.
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23/11/2009 - 06:16h
22 textos de Salinger

Para quem gosta de JD Salinger (foto), este site vale a visita. Lá estão links para 22 textos (em inglês) do autor de “O Apanhador no Campo de Centeio” que foram publicados em diversas revistas durante sua carreira, mas que nunca apareceram em livros. A coleção inclui “The Young Folks“, a primeira das histórias dele já publicada. (Dica do Silvio Herbas). A foto acima eu peguei no site da revista Esquire.
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19/11/2009 - 06:20h
“Uma lista de coisas que nunca me pareceram fazer sentido algum numa discussão”
Do meu baú de guardados, resgatei um texto do Alexandre Soares Silva que “vale a pena ver de novo”. Segue.
“Polêmicas”
“A Internet é o fim da profissão de jornalista. Ou pelo menos da dignidade dela. O mais digno, barrigudo e pomposo jornalista corre o risco de ser xingado por um molequinho em Mogi das Cruzes. Ou de ser contestado num detalhe qualquer por um sujeito vagamente desequilibrado que mora entre pilhas de jornais velhos no Baixo Leblon. Não importa se o texto estava liricamente, solenemente, melancolicamente, maravilhosamente escrito. O sujeito do Baixo Leblon coloca logo abaixo do texto: “Adolpho Bloch nunca disse isso, e posso provar†– seguido de nove parágrafos com citações, inclusive, do próprio Adolpho Bloch dizendo que nunca disse isso. Logo abaixo, uma mensagem do molequinho de Mogi das Cruzes: “Hua hua hua hua! O cara mentiu malandro! Se liga mané!!!!!!! Valeeeeeeuuuuuuu!!!!â€
Assim não há dignidade que resista. Mas pior que isso é que não há texto que resista. Cartas furiosas de leitores furiosos, cartas chatas de leitores chatos – essas coisas sempre existiram. Mas agora a fúria e a chatice ficam logo ali abaixo do texto, estragando todo o efeito da coisa. Piadas do jornalista são estragadas por piadas piores dos leitores. A ironia sutil do texto é estragada com a palavra “engraçadinhoâ€; o lirismo de uma passagem é estragado com a palavra “viadoâ€; a melancolia cuidadosamente planejada dos parágrafos é estragada com as palavras “auto-piedadeâ€, “coitadinho†e “snif-snifâ€. Um golpe duro, um golpe duro…
Com o propósito de salvar a profissão de jornalista, proponho, portanto, a obediência a certas regras de polêmica. Não porque eu queira poupar o jornalista digno e pomposo do primeiro parágrafo – quem se importa com ele? Não, não. Minha preocupação é que, nesse sistema de comentários seguido por um bom número de jornais online, mesmo o maior dos jornalistas, o mais inteligente e engraçado e espirituoso, não sobreviveria. Leitores exigiriam que ele dissesse em que fatos (com datas, se possÃvel) ele baseou determinado witticism. Estragariam o efeito de seus paradoxos ao notarem truculentamente que eles envolvem uma certa contradição. E – horror dos horrores – pediriam que ele “definisse os seus termosâ€! Há certos golpes baixos na polêmica que simplesmente não podem ser tolerados.
Eis aqui uma pequena, provisória lista de coisas que nunca me pareceram fazer sentido algum numa discussão:
1) O golpe do “Não Generalizeâ€- Uma das coisas que as pessoas deveriam ter em mente, quando debatem com um jornalista polêmico, é que ele sabe que existem exceções. Acredite, ele sabe. Não fique apontando o óbvio para ele, que é muito rude. Não fique dizendo: “Nem todo tenista é burroâ€. Ele sabe. Talvez até conheça dois ou três que não são burros. A questão é que é muito menos chato escrever “todos os tenistas são burros†do que escrever “há um grande número de atletas profissionais (não só tenistas, é claro) que não são assim, digamos, muito inteligentes. Mas faço questão de frisar que há exceçõesâ€. Portanto, regra número um: generalizar é divertido. Deixe o generalizador em paz. Ele sempre sabe que há exceções.
2) O golpe do “Não queira comparar†– Ah, esse é velho, e muito popular. Não se pode fazer comparação alguma sem que alguém diga: “Você está querendo comparar Jesus Cristo com Agnaldo Timóteo? Trotsky com Sharon Stone? Eliot com Cacaso?†Meu Deus, e daÃ? Sim, estou comparando. Comparações só podem ser feitas entre coisas diferentes. Exatamente para ver a diferença. Você compara uma melancia com a lua e conclui que uma é um bocado maior do que a outra. Mas você não compara uma melancia com precisamente a mesma melancia. É preciso ao menos que seja outra melancia, o que significa uma melancia diferente. É para isso mesmo que comparações servem! “Não que eu queira me comparar com Van Gogh, mas…†Mas o quê? Se compare, idiota!
3) O golpe do Ataque Ad Hominem – O bom e velho xingamento gratuito. Nem é preciso explicar porquê isso não deveria ser feito. O texto é sobre matemática, digamos – e o leitor desqualifica o autor porque, segundo fontes confiáveis, “ele é corcundaâ€. Que feio, que feio. Esse tipo de recurso só é válido, é claro, se o xingamento for ao menos engraçado – alguma piadinha sobre corcundas e áreas cônicas, ou algo assim. Mas essa piada tem que ser um pouco elaborada. Um xingamento puro e simples, ou um xingamento com sarcasmo puro e simples, mas sem um toque de ironia, é um comportamento digno de labregos.
4) O golpe do “Explique-se Melhorâ€- Também conhecido como o golpe do “Hein?â€, ou “Não entendiâ€, ou “Fale Sérioâ€, ou “Baseado em Quê Você Diz Isso?â€. Não há piada ou frase de espÃrito ou boutade ou witticism que resista a isso. É como aquele sujeito que pede para que lhe expliquem a piada. Por favor, não peça ao autor da frase espirituosa que justifique sua afirmação em 500 palavras ou menos, usando trechos de jornais de época e bibliografia selecionada. Esse é um dos golpes mais hediondos do manual.
5) O golpe do “Debateâ€- Ah, a mania do “debateâ€. Não basta a alguém escrever um texto brilhante – na Internet, ele tem que “debater†cada ponto de vista, sob o risco de ser considerado um idiota que não sabe o que diz. Não basta que o regime de governo seja democrático; é preciso que os sites sejam democráticos, com textos democráticos e comentários democráticos, em que leitores democráticos interpelam democraticamente as boutades do escritor democrático até levá-lo a um democrático suicÃdio. É como se Ibsen tivesse escrito as suas peças apenas para “debater†com qualquer badameco que se sentasse na sua mesa de café em Cristiânia. Ou Oscar Wilde tendo que “debater†seus ensaios com um estudante de sociologia de Goiás. “Não fuja, não fuja! Você não terminou de explicar como fica aquela sua frase sobre a classe média à luz dos conceitos de Durkheim!†(…)”.
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19/11/2009 - 06:11h
EUA: fotos de paparazzi desvalorizam

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O Daily Beast informa que o valor das fotos de paparazzi, nos Estados Unidos, caiu 31%. E no Brasil, como andará esse mercado?
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18/11/2009 - 06:49h
50 anos depois: “The Guardian” volta ao local do crime de “A Sangue Frio”

Há 50 anos, um múltiplo assassinato devastou a cidade de Holcomb, Kansas, nos Estados Unidos, e inspirou Truman Capote a escrever o livro “A Sangue Frio“, uma das grandes obras da literatura americana do século 20. O jornal The Guardian resolveu apostar na pauta e mandou um jornalista voltar ao local do crime, 50 anos depois: o resultado é a matéria “In Cold Blood, Half a Century On“.
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18/11/2009 - 06:26h
Capa da “Esquire”: etiqueta atrapalhou a “realidade aumentada”

O tÃtulo do post que eu peguei no Gawker explica tudo: “Revista do Futuro estragada por Sistema de Entregas de Revista do Passado”. É só olhar a foto. Tascaram a etiqueta do assinante em cima do quadrado da “realidade aumentada”. Como disse um amigo, “é para a gente não perder fé na estupidez humana”. O relações públicas da revista até explica que dá para tirar a etiqueta – mas ele mesmo reconhece que isso pode não dar certo (e, por isso, diz que na página 8 tem uma cópia do quadrado).
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18/11/2009 - 06:23h
Michelin: só o marido sabe que ela é crÃtica do Guia

A Carta do Editor, da Editora Abril, destacou uma matéria de John Colapinto sobre o “Guia Michelin”: Â
“Em mais de cem anos de história, o Guia Michelin consolidou a fama de bÃblia da gastronomia mundial em cima de dois pilares. O primeiro está no rigor das avaliações. O outro, na independência dos seus profissionais, que pagam pelas refeições como clientes comuns e são desconhecidos por todos – ou quase todos, pois a revista New Yorker traz uma inédita entrevista com um desses crÃticos. Sem abrir mão do anonimato, a profissional do Michelin aceitou falar sobre seu trabalho. Segundo ela, todos no Guia são treinados para entrar e sair do restaurante sem tomar uma nota. Devem guardar tudo na memória. Como escolher qual prato julgar no menu? ‘Prefiro receitas com muitos ingredientes e bastante complexas para ver do que os cozinheiros são capazes’, disse na reportagem. Um pouco para matar a curiosidade geral, o Guia Michelin acaba de lançar um site explicando as razões de tanto segredo. Mesmo os mais graduados executivos da Michelin não conhecem quem trabalha para eles na concessão das cobiçadas estrelas. A crÃtica que falou à New Yorker jura que só uma pessoa no mundo sabe o que ela faz: seu marido.”
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16/11/2009 - 06:55h
As aventuras de Malcolm Gladwell para a “New Yorker”

Na capa do suplemento de livros do New York Times, a resenha do livro “What the dog saw — and other adventures“, coletânea de matérias de Malcolm Gladwell que certamente chegará em breve ao Brasil. Todas foram publicados originalmente na New Yorker. O autor da resenha, apesar de fazer várias ressalvas ao método de Gladwell, aponta quais são seus textos preferidos: “Something Borrowed“, de 2004, um olhar a respeito da linha tênue entre influência artÃstica e plagiarismo, e “Dangerous Minds“, de 2007, sobre “criminal profiling”.
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16/11/2009 - 06:17h
“Economist”: o mundo em 2010

Neste link, o Ãndice — com acesso aos textos — da sempre precisa edição de “previsões” da revista Economist : The World in 2010 traz visões de journalistas, polÃticos e pessoas do mundo dos negócios. Sobre nós e os nossos vizinhos, três textos: “After Lula“, “BolÃvar’s continent” e “SÃ, se puede“.
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11/11/2009 - 06:51h
Jornalismo colaborativo: 3 iniciativas
Li na ótima Carta do Editor, da Editora Abril:
“Mal chegou à s redações e o jornalismo colaborativo já ganha formatos diferentes. Três iniciativas foram lançadas na semana passada. O jornal inglês Guardian está contratando blogueiros de três cidades da Inglaterra, PaÃs de Gales e Escócia para cobrir temas locais, como parte de um projeto que será lançado em 2010.
A revista americana Good não paga, mas quer que os leitores falem sobre suas cidades via Twitter. Os comentários abastecem um novo blog da publicação. Na Austrália, a rede de TV e rádio estatal ABC ensinará moradores da zona rural a produzir matérias. A justificativa: garantir jornalismo colaborativo de qualidade.”
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10/11/2009 - 07:17h
Maggwire: matérias de (várias) revistas online
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Um bom achado para jornalistas e para todos que gostam de revistas: o Maggwire é um site mais ou menos novo — ainda em versão beta — que direciona os usuários para conteúdos grátis de revistas que estão online (revistas em inglês, é bom ressaltar). Além disso, oferece sugestões de leituras baseadas nos interesses do leitores. Não sei se funciona bem, mas vale dar uma olhada. Para entender melhor, um vÃdeo que está lá no site (acima).
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06/11/2009 - 06:22h
“Der Spiegel” seleciona “fotos da década”
A revista Der Spiegel fez uma seleção das imagens mais marcantes da década que está terminando. As fotos escolhidas são de todas partes do mundo e falam por si só.
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05/11/2009 - 07:00h
Como se faz um soldado americano

Durante 27 meses, Ian Fisher, seus pais, seus amigos e o exército americano permitiram que os repórteres Michael Riley e Bruce Finley do Denver Post e o fotógrafo Craig F. Walker acompanhassem e registrassem seu recrutamento, seu treinamento, sua ida ao Iraque e seu retorno da área de combate. Neste link está uma seleção de fotos da jornada de Ian. (Dica do Silvio Herbas).
Todo o projeto multimÃdia, que inclui todas as fotos, vÃdeo e matérias especiais pode ser visto no site www.denverpost.com/americansoldier.
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28/10/2009 - 08:56h
O tamanho da redação do “New York Times” (18 crÃticos de cultura etc.)
Esta matéria do New York Observer fala sobre o New York Times — e sobre as demissões que devem acontecer em dezembro. O mais curioso, porém, é olhar alguns números da redação do jornal — e compará-los com a nossa realidade. Lá vai:
Editores que trabalham no Book Review (o suplemento de livros): 14
Repórteres do Metro (o caderno de “Cidades/Cotidiano” deles): 50. A editoria inteira tem 103 pessoas.
Pessoas que trabalham na editoria de opinião/editoriais: 49
Equipe da editoria de esportes: 57
CrÃticos da editoria de cultura: 18
Editores da revista do jornal: 21
Pessoas que trabalham na editoria de Economia/Negócios: 85
Equipe da sucursal de Washington Bureau: 45
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Como disse uma vez o Ruy Mesquita, fazer bom jornalismo não é barato.
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28/10/2009 - 06:43h
Malcolm Gladwell lança coletânea de seus textos para a “New Yorker”

O jornalista Malcolm Gladwell (foto), autor de “Blink” e “Fora de Série”, está com um livro novo no mercado americano: uma coletânea de reportagens que ele escreveu para a New Yorker, “What the Dog Saw“, foi lançada no dia 20. No Brasil, bem que poderia sair por aquela coleção de Jornalismo Literário que já publicou outros nomes da mesma revista. A revista Time aproveitou o gancho e fez uma entrevista ping-pong com Gladwell (em inglês).
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28/10/2009 - 06:17h
Revista “GQ” vai para o iPhone

Li na Carta do Editor, da Editora Abril: “A partir de dezembro, a edição integral da revista GQ será vendida num aplicativo para iPhone. Ao custo de 2,99 dólares, o usuário poderá acessar o conteúdo da versão impressa, inclusive com os mesmos anúncios – nas bancas, a publicação custa 4,99 dólares. O aplicativo também terá áudios, vÃdeos e links para e-commerce.
O ABC, o instituto verificador de circulação americano, considerará cada download vendido na AppStore como um exemplar a mais na circulação. A depender do desempenho da GQ, outras publicações da Condé Nast podem seguir o mesmo caminho, disse a presidente de mÃdias digitais da editora, Sarah Chubb.”
Enviado por Ricardo Lombardi
22/10/2009 - 10:50h
“Minha Vogue vintage”

Um link bacana para quem gosta de revistas: MyVintageVogue. Dá para fuçar em várias fotos antigas da revista Vogue. Gostei. (Dica do Felipe Van Deursen).
Enviado por Ricardo Lombardi

