Arquivo de ‘internet’ Categoria
19/11/2009 - 06:20h
“Uma lista de coisas que nunca me pareceram fazer sentido algum numa discussão”
Do meu baú de guardados, resgatei um texto do Alexandre Soares Silva que “vale a pena ver de novo”. Segue.
“Polêmicas”
“A Internet é o fim da profissão de jornalista. Ou pelo menos da dignidade dela. O mais digno, barrigudo e pomposo jornalista corre o risco de ser xingado por um molequinho em Mogi das Cruzes. Ou de ser contestado num detalhe qualquer por um sujeito vagamente desequilibrado que mora entre pilhas de jornais velhos no Baixo Leblon. Não importa se o texto estava liricamente, solenemente, melancolicamente, maravilhosamente escrito. O sujeito do Baixo Leblon coloca logo abaixo do texto: “Adolpho Bloch nunca disse isso, e posso provar†– seguido de nove parágrafos com citações, inclusive, do próprio Adolpho Bloch dizendo que nunca disse isso. Logo abaixo, uma mensagem do molequinho de Mogi das Cruzes: “Hua hua hua hua! O cara mentiu malandro! Se liga mané!!!!!!! Valeeeeeeuuuuuuu!!!!â€
Assim não há dignidade que resista. Mas pior que isso é que não há texto que resista. Cartas furiosas de leitores furiosos, cartas chatas de leitores chatos – essas coisas sempre existiram. Mas agora a fúria e a chatice ficam logo ali abaixo do texto, estragando todo o efeito da coisa. Piadas do jornalista são estragadas por piadas piores dos leitores. A ironia sutil do texto é estragada com a palavra “engraçadinhoâ€; o lirismo de uma passagem é estragado com a palavra “viadoâ€; a melancolia cuidadosamente planejada dos parágrafos é estragada com as palavras “auto-piedadeâ€, “coitadinho†e “snif-snifâ€. Um golpe duro, um golpe duro…
Com o propósito de salvar a profissão de jornalista, proponho, portanto, a obediência a certas regras de polêmica. Não porque eu queira poupar o jornalista digno e pomposo do primeiro parágrafo – quem se importa com ele? Não, não. Minha preocupação é que, nesse sistema de comentários seguido por um bom número de jornais online, mesmo o maior dos jornalistas, o mais inteligente e engraçado e espirituoso, não sobreviveria. Leitores exigiriam que ele dissesse em que fatos (com datas, se possÃvel) ele baseou determinado witticism. Estragariam o efeito de seus paradoxos ao notarem truculentamente que eles envolvem uma certa contradição. E – horror dos horrores – pediriam que ele “definisse os seus termosâ€! Há certos golpes baixos na polêmica que simplesmente não podem ser tolerados.
Eis aqui uma pequena, provisória lista de coisas que nunca me pareceram fazer sentido algum numa discussão:
1) O golpe do “Não Generalizeâ€- Uma das coisas que as pessoas deveriam ter em mente, quando debatem com um jornalista polêmico, é que ele sabe que existem exceções. Acredite, ele sabe. Não fique apontando o óbvio para ele, que é muito rude. Não fique dizendo: “Nem todo tenista é burroâ€. Ele sabe. Talvez até conheça dois ou três que não são burros. A questão é que é muito menos chato escrever “todos os tenistas são burros†do que escrever “há um grande número de atletas profissionais (não só tenistas, é claro) que não são assim, digamos, muito inteligentes. Mas faço questão de frisar que há exceçõesâ€. Portanto, regra número um: generalizar é divertido. Deixe o generalizador em paz. Ele sempre sabe que há exceções.
2) O golpe do “Não queira comparar†– Ah, esse é velho, e muito popular. Não se pode fazer comparação alguma sem que alguém diga: “Você está querendo comparar Jesus Cristo com Agnaldo Timóteo? Trotsky com Sharon Stone? Eliot com Cacaso?†Meu Deus, e daÃ? Sim, estou comparando. Comparações só podem ser feitas entre coisas diferentes. Exatamente para ver a diferença. Você compara uma melancia com a lua e conclui que uma é um bocado maior do que a outra. Mas você não compara uma melancia com precisamente a mesma melancia. É preciso ao menos que seja outra melancia, o que significa uma melancia diferente. É para isso mesmo que comparações servem! “Não que eu queira me comparar com Van Gogh, mas…†Mas o quê? Se compare, idiota!
3) O golpe do Ataque Ad Hominem – O bom e velho xingamento gratuito. Nem é preciso explicar porquê isso não deveria ser feito. O texto é sobre matemática, digamos – e o leitor desqualifica o autor porque, segundo fontes confiáveis, “ele é corcundaâ€. Que feio, que feio. Esse tipo de recurso só é válido, é claro, se o xingamento for ao menos engraçado – alguma piadinha sobre corcundas e áreas cônicas, ou algo assim. Mas essa piada tem que ser um pouco elaborada. Um xingamento puro e simples, ou um xingamento com sarcasmo puro e simples, mas sem um toque de ironia, é um comportamento digno de labregos.
4) O golpe do “Explique-se Melhorâ€- Também conhecido como o golpe do “Hein?â€, ou “Não entendiâ€, ou “Fale Sérioâ€, ou “Baseado em Quê Você Diz Isso?â€. Não há piada ou frase de espÃrito ou boutade ou witticism que resista a isso. É como aquele sujeito que pede para que lhe expliquem a piada. Por favor, não peça ao autor da frase espirituosa que justifique sua afirmação em 500 palavras ou menos, usando trechos de jornais de época e bibliografia selecionada. Esse é um dos golpes mais hediondos do manual.
5) O golpe do “Debateâ€- Ah, a mania do “debateâ€. Não basta a alguém escrever um texto brilhante – na Internet, ele tem que “debater†cada ponto de vista, sob o risco de ser considerado um idiota que não sabe o que diz. Não basta que o regime de governo seja democrático; é preciso que os sites sejam democráticos, com textos democráticos e comentários democráticos, em que leitores democráticos interpelam democraticamente as boutades do escritor democrático até levá-lo a um democrático suicÃdio. É como se Ibsen tivesse escrito as suas peças apenas para “debater†com qualquer badameco que se sentasse na sua mesa de café em Cristiânia. Ou Oscar Wilde tendo que “debater†seus ensaios com um estudante de sociologia de Goiás. “Não fuja, não fuja! Você não terminou de explicar como fica aquela sua frase sobre a classe média à luz dos conceitos de Durkheim!†(…)”.
Enviado por Ricardo Lombardi
10/11/2009 - 07:17h
Maggwire: matérias de (várias) revistas online
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Um bom achado para jornalistas e para todos que gostam de revistas: o Maggwire é um site mais ou menos novo — ainda em versão beta — que direciona os usuários para conteúdos grátis de revistas que estão online (revistas em inglês, é bom ressaltar). Além disso, oferece sugestões de leituras baseadas nos interesses do leitores. Não sei se funciona bem, mas vale dar uma olhada. Para entender melhor, um vÃdeo que está lá no site (acima).
Enviado por Ricardo Lombardi
10/11/2009 - 07:00h
“Uma visão sobre os olhares da rede”

Está disponÃvel na web o PDF do livro “Olhares da rede“, organizado por Claudia Castelo Branco e Luciano Matsuzaki. “Este livro traz o debate sobre as idéias de cinco autores que pensam o universo das redes digitais. Surgiu das rodadas de leitura crÃtica que realizamos na Cásper LÃbero como uma das atividades do Grupo de Pesquisa de Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede. Yochai Benkler, Manuel Castells, Henry Jenkins, Lawrence Lessig e Douglas Rushkoff são utilizados em nossas reflexões sobre a cibercultura e formam um grupo de pensadores cujas idéias inspiram algumas de nossas investigações, de mestrado e de iniciação cientÃfica”, escrevem os editores.
Enviado por Ricardo Lombardi
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25/09/2009 - 08:38h
Leitura dramática de “twits” de celebridades
Taà uma idéia para os sites brasileiros fazerem: leitura dramática de “twits” de celebridades. No vÃdeo acima, produzido pelo pessoal do jornal The Washington Post, o exemplo americano. Boa. Tem outra leitura aqui.
Enviado por Ricardo Lombardi
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22/09/2009 - 06:11h
Stanford e a geração que escreve

Antes do surgimento da Internet, a maioria dos norte-americanos nunca tinha escrito nada que não fosse um trabalho para a escola, diz este texto da Wired. O autor, Clive Thompson, descreve os resultados do Stanford Study of Writing (grosso modo, “os jovens de hoje escrevem mais do que qualquer geração anterior”). Sugestão da Patricia L.
Enviado por Ricardo Lombardi
10/09/2009 - 06:31h
50 coisas que estão sendo mortas pela internet
Matéria — em estilo bem humorado — publicada pelo Telegraph: ”50 coisas que estão sendo mortas pela internet“, entre elas o álbum com fotos da famÃlia e a nossa capacidade de decorar os números de telefone dos amigos. Veja a lista completa (em inglês).
Enviado por Ricardo Lombardi
03/09/2009 - 07:00h
“ClarÃn” ganha prêmio com Rota 66
“Ruta 66“, uma produção especial para a web do jornal argentino ClarÃn ganhou o prêmio GarcÃa Márquez da Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano. Em espanhol.
Enviado por Ricardo Lombardi
02/09/2009 - 07:02h
“O futuro da Internet…”
Uma leitura essencial: o livro “The Future of the Internet–And How to Stop It“. Dá para comprar na Amazon por US$ 11,56. Ou, se preferir, ler na versão em PDF que está disponÃvel aqui.
Enviado por Ricardo Lombardi
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19/08/2009 - 07:17h
Um blog: The Impossible Cool
O blog é este aqui: The Impossible Cool. Acima, começando no alto: Mastroianni, Bardot, Mingus, Balenciaga, Camus e McQueen. (Dica da Patty M.)
Enviado por Ricardo Lombardi
12/08/2009 - 07:01h
“O café da manhã pode esperar. A primeira parada do dia é online”
Esta reportagem do New York Times (que está na lista das mais lidas) identifica uma mudança na rotina dos americanos: a tecnologia está avançando na hora do café da manhã. Muita gente está acordando e indo para a frente dos computadores. Como diz o tÃtulo da matéria, “o café pode esperar. A primeira parada do dia é online.” Tem muito brasileiro nessa, também. Bom dia.
Enviado por Ricardo Lombardi
12/08/2009 - 06:48h
Jornal inglês disponibiliza na web fotos de futebol de seus arquivos
Boa iniciativa de um jornal para atrair fãs de futebol: o Daily Mirror montou um site, o Mirror Football, em que disponibiliza – entre outras coisas — todas as fotos da cobertura de futebol arquivadas desde o lançamento do jornal, em 1903. O arquivo traz fotos clássicas ou inéditas de alguns jogadores importantes do futebol britânico. ”Temos consciência de que o que vai atrair audiência são as notÃcias, mas esperamos que as fotos convençam as pessoas a continuar navegando no site”, disse um dos jornalistas do Mirror Football ao The Guardian. Aqui, mais informações. (Via Carta do Editor, da Editora Abril).
Enviado por Ricardo Lombardi
10/08/2009 - 07:01h
“Acabei de ler ____________”
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“Acabei de ler __________________.” Digite o tÃtulo do livro que você acabou de ler e o Book Seer recomenda outras obras literárias. Funciona melhor com autores de lÃngua inglesa. (Dica do Silvio Herbas).
Enviado por Ricardo Lombardi
06/08/2009 - 06:11h
Chris Anderson dá palestra no Google
Chris Anderson deu uma palestra na sede do Google sobre o livro “Free — The Future of Radical Price“. “Em primeiro lugar, é uma experiência bizarra falar sobre ‘Free’ aqui no Google”, diz Anderson na abertura. (Em inglês)
Enviado por Ricardo Lombardi
16/07/2009 - 07:27h
44 atrizes de filmes pornôs que twittam
A Lola Felix informa, lá no blog dela:
“Este site aqui fez uma lista bem interessante - 44 atrizes pornôs que twittam. As 44 vem com fotinho (e galerias) e uma pequena amostra de suas twittadas. Agora, sério… não pensei que atriz pornô falasse de sexo até nas horas vagas. Tipo, por que elas não escrevem coisas como ‘vou dar banho na laika, volto já’, em vez de coisas como ‘testando um novo alargador anal’?
Talvez elas só tenham isso pra falar mesmo. Depois a gente ainda reclama que o trabalho consome nossas mentes. O dessas gurias aà consome mais, muito mais delas. (…)”
Enviado por Ricardo Lombardi
16/07/2009 - 07:17h
“Perguntar é bem mais libertador do que responder”
O jornalista Armando Antenore acaba de lançar o Blog das Perguntas, onde publica diariamente perguntas que provocam reflexões — muitas que ele pesca por aÃ, em várias fontes; outras que ele mesmo cria, a partir de trechos de canções, tÃtulos de livros etc. Vale a pena ler. Armando trabalhou na Folha de S.Paulo (foi um dos melhores repórteres que o jornal já teve) e nas revistas Saúde!, Jovem Pan e VIP. Atualmente, é editor sênior na revista Bravo!. Troquei um email com ele:
Você é um repórter que virou editor. O blog dialoga com o seu trabalho de jornalista de que maneira?
Sou um repórter que virou editor? Não sei… Talvez seja mais um repórter que “esteja editor”. Continuo fazendo reportagens (não abro mão disso), embora hoje a edição tome boa parte de meu tempo. Também não sei se o blog dialoga propriamente com meu trabalho de jornalista. Creio que dialoga sobretudo com os produtos culturais que consumo: músicas, livros, imprensa, sites, filmes, peças, exposições. Na verdade, o blog pretende fazer pequenos comentários existenciais, polÃticos ou comportamentais por meio da apropriação e reciclagem de ideias alheias — uma caracterÃstica essencial da internet, onde quase tudo se copia, quase tudo se transforma.
Acha que, com a internet, os repórteres estão perguntando menos?
Espero que não. Mesmo porque, com a internet, ficou bem mais fácil chegar a certas respostas.
“O que é melhor para nos fazer entender o mundo: as respostas ou as perguntas?”
As perguntas, claro. São as indagações que nos permitem formular e expressar os pensamentos mais absurdos sem que ninguém nos acuse de inconsistência ou algo do gênero. Posso perguntar tranquilamente se há vida em Marte. Mas só posso responder que há se estiver muito embasado. Perguntar é bem mais libertador do que responder.
Enviado por Ricardo Lombardi
16/07/2009 - 06:12h
“Comunicação e Democracia”
Do livro “Comunicação e Democracia”, de Wilson Gomes: “Neste momento não nos encontramos mais na fase entusiasmada dos estudos sobre os impactos sociais e polÃticos da internet, que foi predominante até parte da segunda metade dos anos 90. E começamos a ponderar com mais equilÃbrio os argumentos crescentemente antiutópicos, quando não sombrios e persecutórios, tÃpicos da fase que se seguiu. É um bom momento, então, para uma avaliação mais ponderada das promessas e realizações da internet para a democracia.”
Via Cláudia Castelo Branco, que pescou o trecho acima. Ela indica também, para quem tem interesse no assunto, este artigo: “A democracia digital e o problema da participação civil na decisão polÃtica” (arquivo em PDF, é só clicar).
Enviado por Ricardo Lombardi
08/07/2009 - 06:03h
Sugestões?
Sugestões de links? Indicação de blog? Envie para lombardi@desculpeapoeira.com. Obrigado, R.
Enviado por Ricardo Lombardi












