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17/10/2008 - 06:40

“A casta secreta dos homens de bom gosto”

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Um ótimo post de Alexandre Soares Silva, lá no blog dele: “A casta secreta dos homens de bom gosto”. Recomendo. Vale reproduzir um trecho aqui (abaixo). Na época em que eu trabalhava na revista Bravo, os ensaios dele que publicamos — uns 10, em 2006 e 2007, sempre muito bem escritos — tinham a capacidade de provocar nos leitores reflexões inteligentes. Segue um trecho:

“Me ocorre algo que não é possível provar, que em cada geração os homens mais inteligentes não sentem a necessidade da fama, e que portanto permanecem secretos. Digamos assim, em cada geração há uma casta secreta de homens de bom gosto existindo ao mesmo tempo que a casta aparente.

Entre a casta aparente, uns poucos têm talento, e uma maioria são imbecis. Entre os imbecis estão a maior parte dos escritores e jornalistas conhecidos de cada época, por mais respeitados que sejam. Eles não se dedicam de fato à vida da mente, mas enganam durante algum tempo, e talvez a eles mesmos; ou talvez até se dediquem à vida da mente, mas imbecilmente, que é o que podem fazer com a mente que eles têm.

Entre a casta secreta estão só as pessoas que genuinamente se dedicam à vida da mente, mas que nasceram sem a necessidade de tornar o próprio nome famoso. Alguns deles publicam um livro, mas não fazem nenhum esforço para promovê-lo, ou para publicar um segundo; outros publicam dois ou três, mas só espalham entre amigos; outros escrevem um ou outro artigo para jornal, talvez um jornal de associação profissional ou algo igualmente obscuro; outros escrevem cartas, ou livros que deixam na gaveta.

Minha idéia é que essas cartas, esses livros que ficaram na gaveta, essas conversas que os membros da casta secreta tiveram uns com os outros, são em cada geração a verdadeira vida civilizada existente, e não as obras-primas visíveis e conhecidas – ou pelo menos não só elas. (…)”

Para ilustra este post, a obra “Family Lamp“, do Atelier Van Lieshout.

Autor: - Categoria(s): cultura Tags: ,

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