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06/11/2008 - 06:04

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Circular: “Só não somos completamente ruins porque sabemos que somos ruins. Essa é a grande qualidade brasileira, nosso único motivo de orgulho – o fato de sabermos que não temos motivo algum de ter orgulho e que, comparando com as demonstrações de patriotismo repulsivo e babaquinha dos outros países, somos até um pouquinho cool.

Repare como os outros países acham erótico ver mulheres peladas enroladas na bandeira deles. Nós broxaríamos. Aquele losango amarelo nos causa um esgar de sabedoria antipatriótica que os outros países são incapazes de alcançar.

Eu sei, alguns de nós são cheios de patriotismo babaquinha: quando vêem um time africano jogando bem dizem que eles têm um futebol quase como o brasileiro (quase, quase, mas têm ainda muito que aprender); ou entram em fóruns de discussão e xingam alguém de entreguista e puxa-saco dos americanos (gente, temos que valorizar o que é nosso. Viva Pagu! Viva Mestre Pastinha!). Essas pessoas são os verdadeiros inimigos do país, por atacar o que o país tem de melhor: o hábito de se achar uma titica.

Essas pessoas existem e fazem barulho, mas são poucas. Somos uma nação de pessoas incapazes de não zombar daquele filme sobre a independência, com Tarcísio Meira. E enquanto tivermos alguma sanidade continuaremos zombando de todos os filmes sobre a nossa independência, mesmo que não tenham Tarcísio Meira.

Os americanos não, cometem a gafe de fazer filmes patrióticos um atrás do outro. Ah, eles têm razão de se sentirem orgulhosos. Cinismo no caso deles pegaria mal; só um americano idiota pode ser um americano cínico. Mas deviam ter o gosto de conter um pouco o orgulho, mostrá-lo um pouco menos – só por bom gosto mesmo. Deviam ter uma atitude mais leve em relação ao sucesso do próprio país: algo mais perto de um fleumático ‘Well done! Good form, good form.’ Não são capazes, e vivem constrangendo o mundo com seu orgulho justificado mas fundamentalmente boçal. E o resto do mundo corresponde sendo igualmente grotesco: o chauvinismo francês competindo com o chauvinismo argentino, etc.” (Alexandre Soares Silva, num post de 2004).

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