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04/09/2008 - 06:13

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Circular: “(…) ‘Todo mundo procura, e eu encontro’, disse Picasso. Pois eu acho que os repórteres jovens deviam ser preparados e incentivados a encontrar, sem necessariamente procurar. Desse modo, estariam muito mais perto de captar ‘acontecências’, em vez de encher o balaio de acontecimentos, que mais servem para alimentar a grande gincana do que para levar algo genuinamente novo a seus leitores.

Todos sabemos que as redações utilizam os conceitos de ‘quente’ e ‘frio’ para classificar os assuntos e as pautas. ‘Quente’ é aquilo que amanhã será frio; portanto, deve ser publicado hoje. ‘Frio’ é aquilo que pode ficar na gaveta, protegido por certa atemporalidade, aguardando o momento em que não houver nada ‘quente’ para disputar o espaço.

Temos aí um puro e simples critério de oportunidade, que sempre me pareceu tosco e insuficiente. As pautas e matérias deveriam ser classificadas em ‘quentes’ e ‘frias’ não apenas por um critério de atualidade, mas também de criatividade.

Por que isso não acontece na imprensa? Ora, a resposta é simples: por acomodação e medo. Assim como o repórter abdica da inovação por temer que, caso falhe, possa ser vencido pelo colega mais medíocre que traz o feijão-com-arroz garantido, assim também a empresa jornalística tem os seus receios, talvez ainda maiores, em relação à concorrência. Assim, permite (na verdade, até exige) que seus funcionários mudem o recheio do bolo, mas jamais a receita, de modo que a base permaneça a mesma. A Pepsi-Cola não pode ser igual à Coca-Cola, mas também não pode ser muito diferente; deve haver entre elas apenas uma moldura fina, reconhecível, marquetável, mas não tão larga a ponto de colocar em risco a idéia de que ambas, juntas, fazem parte de um ‘sistema de refrigerância’ que deve continuar absolutamente necessário para o freguês, assim como o Estadão e a Folha, O Globo e o JB. (…)” (Renato Modernell, “Sobre a acontecência”)

Autor: - Categoria(s): circular Tags:

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