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12/08/2008 - 06:12

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Circular: “Entre o número considerável de qualidades que nos distinguem do resto do mundo, tudo no Brasil é sexy: temos uma tradição única na beleza.

O desprendimento de nosso andar é sexy. Nossa pele escura é sexy. As curvas de nossa arquitetura e de nosso corpo são sexy. Nossas cidades: sexy. Tudo que nos reveste – o pano-da-costa, o linho alvo, a saia de cores vivas –; tudo é sexy. Nossa língua é sexy: nos Pedros que viram Pepês; nas Manuelas que viram Manus, nos Antonios que viram Toms; nos Zecas, nas Dedés, nas Tetês; na suculenta herança africana do cafuné, do mulambo, da canga ou do quindim; nos nomes de frutas, de rios, de estrelas, de árvores: o marmelo, o Subaé, as Três Marias, o jatobá. Nossa bandeira – um escândalo sexy. Nosso sorriso, nosso transe, nosso gesto: que cultura, em qualquer um dos mundos, pode se orgulhar de um vigor sempre tão feliz? É tudo tão sexy no Brasil.

Nossa arte soube responder a esse impulso inquieto com a intensidade que todo impulso fundador merece – seja no cinema, no teatro ou em nossa poesia, nossos sonhos são sempre sexy: nossa vocação é a doçura.

Mas nenhuma arte soube exprimir melhor tudo o que temos de sexy quanto nossa música. A música popular do Brasil é a voz instintiva do nosso desejo. (…) O que é mais sexy, afinal, que João Gilberto? Ou, naturalmente, que Dorival Caymmi – para quem a própria definição de sexy parece ter regularmente que prestar contas? Sempre preocupado com as relações entre a cultura e o corpo, Nietzsche escreveu, sem saber, boa parte de sua obra elogiando o Brasil enquanto pensava estar comentando Bizet: o Brasil foi o único país do mundo a incorporar e irradiar com uma vitalidade sempre renovada todas as lições do que Euclides da Cunha descreveu como ‘a linha fulgurante do trópico’ – e essa lição nos veio embalada pela música. Toda nossa antropologia, por isso, deveria começar com um atabaque e terminar com um banquinho e um violão.” (Sérgio Augusto de Andrade em “A cultura sexy do Brasil”).

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