Publicidade

Publicidade

Arquivo de dezembro, 2007

23/12/2007 - 15:34

"2084", uma telenovela de Renato Pompeu

Compartilhe: Twitter

Depois de lançar “O mundo como obra de arte criada pelo Brasil”, o jornalista e escritor Renato Pompeu resolveu se aventurar pelo mundo das telenovelas. Como presente de natal para os leitores deste blog, transcrevo aqui, com a permissão do autor, as inéditas primeiras cenas do roteiro de “2084”, ainda incompleto. Feliz Navidad.

2084

Telenovela de Renato Pompeu

Seqüência 1 – cerca de três minutos
Exterior – estrada bucólica em 2084

Enquanto toca, alto, a música de fundo, e acompanhando seu ritmo, um jovem centauro, de feições chinesas, carregando a tiracolo um subnotebook, cavalga em forte galope pela beira de terra de uma estrada de asfalto dourado por onde circulam raramente alguns veículos ultramodernos; a estrada serpeia por entre montanhas, vales, planícies, planaltos, junto a praias e margens de rios, tudo entre muitas árvores de todos os tamanhos e muita vegetação, entremeada periodicamente por estranhas plantas de formas mecânicas e cores metálicas, sem folhas; o centauro cumprimenta criaturas aladas, como anjos e dragões, que passam pelos céus, juntamente com aves normais, aviões normais, naves espaciais e discos voadores; cumprimenta sereias e iaras e botos nos mares e nos rios, em terra encontra o Saci, o Lobisomem, faunos, gigantes, anões e outros seres fantásticos; passa por robôs, andróides e humanóides; passa por uma comunidade urbana de mulheres negras lindíssimas, todas iguais entre si, porque são clones, de preferência nuas, e por um curral em que estão clones de homens louros musculosos, de preferência nus, vigiados como se fossem gado por centauros e centauras, e, o jovem centauro, subindo os altos e baixos da estrada, chega às portas de um moderno prédio (por exemplo, do bairro ecológico de Estocolmo), onde reduz seu galope para entrar no prédio, à frente de cuja escadaria, ou a subindo para entrar, estão alguns jovens humanos normais e algumas jovens criaturas fantásticas, de ambos os sexos, todos com subnotebook a tiracolo, a cena se interrompendo quando o jovem centauro começa a subir a escadaria. Na fachada do prédio está escrito: “Escola Nova”;

Música de fundo: Alma Llanera, cantada por homem.

Seqüência 2 – 30 segundos
Exterior – Comunidade de negras lindas clonadas, todas iguais entre si, em meio a muita vegetação, tendo ao centro uma planta-máquina que está produzindo canapés e outros salgadinhos.
Rodeadas por companheiras que ficam conversando, correndo, brincando, dançando, saltando, se abraçando, se beijando, se acariciando, duas negras clones ficam junto à planta-máquina. Uma delas está acessando o teclado que programa a planta-máquina:

Negra 1 (ao lado da que programa a máquina) – Já temos
salgadinhos suficientes. Vamos reprogramar a planta-máquina
para que produza garrafas de champanha. A festa tem de ser
de arromba.
Negra 2 (que programa a máquina) – OK, é para já.
Da planta-máquina param de sair salgadinhos e começam a sair garrafas de champanha.

Seqüência 3 – 30 segundos
Exterior – curral dos clones louros. Os centauros tangem alguns dos clones para a manjedoura.

Centauro 1 – Vamos, vamos, depressa, comam bastante Viagra, que em seguida vocês terão de servir bem direitinho as madames. Hoje elas estão bastante exigentes.
Alguns clones – (grunhem enquanto acorrem à manjedoura e comem)

Seqüência 4 – Um minuto
Interior do saguão de entrada da Escola nova.
Em meio a uma multidão de jovens humanos e fantásticos, com subnotebooks a tiracolo, andando para lá e para cá, conversando em duplas, aos trios e aos grupos, enquanto esperam a chamada para a aula inaugural, vigiados por seres humanos normais mais velhos, na maioria de cabelos castanhos, mas também negros, nórdicos e orientais, o jovem centauro chinês, chamado Liu, vê que se soltou a tira do subnotebook de uma jovem clone negra e o subnotebook foi ao chão, os dois se agacham para pegar e rola um clima entre eles, o centauro pega o subnotebook, os dois se erguem, a jovem clone negra pega o subnotebook e o repõe a tiracolo; rola um clima entre eles.

Jovem negra – Muito obrigada, você é muito gentil.
Centauro Liu – De nada, como você é bonita! Meu nome é Liu. Você veio também para a aula inaugural?
Jovem negra – Vim, fui convocada para representar as minhas irmãs; todas nós nos chamamos Mona, eu sou a 133. Não sei por que esse curso não é virtual como todos os outros, nunca vi um curso em que a gente tem de participar pessoalmente.
(Soa a campainha)
Enquanto soa a campainha, todos os jovens rumam para a sala de aula, orientados pelos seres humanos mais velhos, a jovem negra e Issao vão entrando juntos..
Centauro Liu – Também nunca participei de um curso ao vivo. Gostaria de saber do que se trata.

Seqüência 5 – um minuto e meio
Interior da sala de aula da Escola Nova
Os alunos vão se acomodando, abrindo os subnotebooks que automaticamente não precisam de mesa; sentam-se os que podem, os centauros e assemelhados ficam de pé.
O professor, um idoso ser humano normal, está à mesa, tendo atrás uma videolousa.

Professor – Bom dia. Vocês devem estar curiosos para saber por que foram convocados para cá. É que nós, os mais velhos – e eu estou com mais de oitenta anos – nós, do Conselho de Anciães, resolvemos contar para vocês como era o mundo quando nascemos, muito
diferente do que é hoje. Quando eu nasci, no ano 2000, havia bilhões de humanos como eu, uns poucos clones – nenhum de humano, e umas poucas quimeras, como um camundongo tendo ao dorso uma orelha humana. (aparece na lousa essa quimera, com a data de seu lançamento). Só depois disso é que apareceram os tipos de seres como a maioria de vocês. E mais, não havia plantas-máquinas, as pessoas tinham de fazer tudo que precisavam, o que se
chamava trabalho, a maioria não tinha acesso a tudo que precisava, não era como agora, que todos obtêm o que querem por meio das plantas-máquinas, de comida a ônibus espaciais.

O professor continua falando, mas não se ouve mais o que ele diz, enquanto a câmera passeia pela sala, mostrando os alunos quietos, atentos todos e espantados alguns.

Seqüência 6, 30 segundos.
Interior, quarto, cama de casal.
Um casal nu formado por uma mulher lindíssima e um clone louro do curral troca carícias, enquanto ele só grunhe e geme, do esforço e do prazer, ela fala em voz alta.

Mulher lindíssima – Ainda bem que não ensinamos vocês a falar, do contrário você estaria estragando tudo. Ai, que gostoso…

Seqüência 7, 30 segundos.
Exterior, saída do prédio da Escola Nova.
Em meio a outros alunos humanos e fantásticos que saem da escola após a aula, o centauro Liu e a clone negra saem juntos. Ele indica a ela a sua garupa e lhe oferece carona.

Liu – Posso levá-la aonde quiser ir. Você mora na colônia de clones negras? Quer que a leve para lá?
Clone negra 133 – Sim, vou para lá; se você quiser me levar, eu agradeço.

Ela sobe à garupa dele e ele cavalga de volta pela mesma estrada da seqüência 1.

Autor: - Categoria(s): TV Tags:
21/12/2007 - 09:00

Uma música nas férias

Compartilhe: Twitter

Um clipe para a sexta-feira, na férias: “Por que te vas“, com Jannette.

Autor: - Categoria(s): Música Tags:
21/12/2007 - 07:40

Compartilhe: Twitter

Circular: “Um jornalista filantropo disse-me que a solidão é má para o homem, e, em apoio a sua tese, cita, como todos os incrédulos, as palavras dos Padres da Igreja.

Eu sei que o Demônio freqüenta prazerosamente os lugares áridos e que o Espírito do assassínio e da lubricidade inflama-se maravilhosamente na solidão. Mas é possível que esta solidão não seja perigosa senão para almas ociosas e divagantes que povoam suas paixões e suas quimeras.

É certo que um tagarela, cujo supremo prazer consiste em falar do alto de um púlpito ou de uma tribuna, se arriscaria a tornar-se um louco furioso na ilha de Robinson. Eu não exijo de meu jornalista as corajosas virtudes de Crusoé, mas peço que ele não acuse os amantes da solidão e do mistério.

Há, em nossas raças faladoras, indivíduos que aceitariam com menos repugnância o suplício supremo se lhes fosse permitido fazer do alto do cadafalso uma copiosa arenga, sem medo de que os tambores de Santerre lhes cortassem intempestivamente a palavra.

Não me apiedo deles, porque adivinho que suas efusões oratórias procuram volúpias iguais àquelas que outros tiram do silêncio e do recolhimento; mas eu os desprezo.

Desejo, sobretudo, que meu maldito jornalista deixe que eu me divirta a meu modo. “O senhor nunca aprova”, disse-me ele, com um tom anasalado muito apostólico, “a necessidade de compartilhar suas alegrias?” Vejam vocês o sutil invejoso! Ele sabe que desdenho as alegrias dele e vem se insinuando nas minhas, o horroroso estraga-festas.

“Essa grande infelicidade de não poder estar só…”, disse em algum lugar La Bruyère, como para envergonhar a todos os que correm para se perderem na multidão, temendo, sem dúvida, não poder suportar-se a si mesmos.

“Quase todos os nossos males nos vêm de não termos sabido ficar em nossos quartos”, disse um outro sábio, Pascal, creio, lembrando assim na sua cela de recolhimento todos estes enlouquecidos que procuram a felicidade no movimento e numa prostituição que eu poderia chamar de fraternária, se quisesse falar na bela língua do meu século. (Charles Baudelaire, “Pequenos Poemas em Prosa”; os posts diários com sugestões de pautas e de leituras voltam no dia 7 de janeiro, após um breve recesso. Obrigado)

Autor: - Categoria(s): Uncategorized Tags:
21/12/2007 - 07:40

Compartilhe: Twitter

Circular: “Um jornalista filantropo disse-me que a solidão é má para o homem, e, em apoio a sua tese, cita, como todos os incrédulos, as palavras dos Padres da Igreja.

Eu sei que o Demônio freqüenta prazerosamente os lugares áridos e que o Espírito do assassínio e da lubricidade inflama-se maravilhosamente na solidão. Mas é possível que esta solidão não seja perigosa senão para almas ociosas e divagantes que povoam suas paixões e suas quimeras.

É certo que um tagarela, cujo supremo prazer consiste em falar do alto de um púlpito ou de uma tribuna, se arriscaria a tornar-se um louco furioso na ilha de Robinson. Eu não exijo de meu jornalista as corajosas virtudes de Crusoé, mas peço que ele não acuse os amantes da solidão e do mistério.

Há, em nossas raças faladoras, indivíduos que aceitariam com menos repugnância o suplício supremo se lhes fosse permitido fazer do alto do cadafalso uma copiosa arenga, sem medo de que os tambores de Santerre lhes cortassem intempestivamente a palavra.

Não me apiedo deles, porque adivinho que suas efusões oratórias procuram volúpias iguais àquelas que outros tiram do silêncio e do recolhimento; mas eu os desprezo.

Desejo, sobretudo, que meu maldito jornalista deixe que eu me divirta a meu modo. “O senhor nunca aprova”, disse-me ele, com um tom anasalado muito apostólico, “a necessidade de compartilhar suas alegrias?” Vejam vocês o sutil invejoso! Ele sabe que desdenho as alegrias dele e vem se insinuando nas minhas, o horroroso estraga-festas.

“Essa grande infelicidade de não poder estar só…”, disse em algum lugar La Bruyère, como para envergonhar a todos os que correm para se perderem na multidão, temendo, sem dúvida, não poder suportar-se a si mesmos.

“Quase todos os nossos males nos vêm de não termos sabido ficar em nossos quartos”, disse um outro sábio, Pascal, creio, lembrando assim na sua cela de recolhimento todos estes enlouquecidos que procuram a felicidade no movimento e numa prostituição que eu poderia chamar de fraternária, se quisesse falar na bela língua do meu século. (Charles Baudelaire, “Pequenos Poemas em Prosa”; os posts diários com sugestões de pautas e de leituras voltam no dia 7 de janeiro, após um breve recesso. Obrigado)

Autor: - Categoria(s): Uncategorized Tags:
21/12/2007 - 07:40

Compartilhe: Twitter

Circular: “Um jornalista filantropo disse-me que a solidão é má para o homem, e, em apoio a sua tese, cita, como todos os incrédulos, as palavras dos Padres da Igreja.

Eu sei que o Demônio freqüenta prazerosamente os lugares áridos e que o Espírito do assassínio e da lubricidade inflama-se maravilhosamente na solidão. Mas é possível que esta solidão não seja perigosa senão para almas ociosas e divagantes que povoam suas paixões e suas quimeras.

É certo que um tagarela, cujo supremo prazer consiste em falar do alto de um púlpito ou de uma tribuna, se arriscaria a tornar-se um louco furioso na ilha de Robinson. Eu não exijo de meu jornalista as corajosas virtudes de Crusoé, mas peço que ele não acuse os amantes da solidão e do mistério.

Há, em nossas raças faladoras, indivíduos que aceitariam com menos repugnância o suplício supremo se lhes fosse permitido fazer do alto do cadafalso uma copiosa arenga, sem medo de que os tambores de Santerre lhes cortassem intempestivamente a palavra.

Não me apiedo deles, porque adivinho que suas efusões oratórias procuram volúpias iguais àquelas que outros tiram do silêncio e do recolhimento; mas eu os desprezo.

Desejo, sobretudo, que meu maldito jornalista deixe que eu me divirta a meu modo. “O senhor nunca aprova”, disse-me ele, com um tom anasalado muito apostólico, “a necessidade de compartilhar suas alegrias?” Vejam vocês o sutil invejoso! Ele sabe que desdenho as alegrias dele e vem se insinuando nas minhas, o horroroso estraga-festas.

“Essa grande infelicidade de não poder estar só…”, disse em algum lugar La Bruyère, como para envergonhar a todos os que correm para se perderem na multidão, temendo, sem dúvida, não poder suportar-se a si mesmos.

“Quase todos os nossos males nos vêm de não termos sabido ficar em nossos quartos”, disse um outro sábio, Pascal, creio, lembrando assim na sua cela de recolhimento todos estes enlouquecidos que procuram a felicidade no movimento e numa prostituição que eu poderia chamar de fraternária, se quisesse falar na bela língua do meu século. (Charles Baudelaire, “Pequenos Poemas em Prosa”; os posts diários com sugestões de pautas e de leituras voltam no dia 7 de janeiro, após um breve recesso. Obrigado)

Autor: - Categoria(s): Uncategorized Tags:
20/12/2007 - 08:07

Compartilhe: Twitter

Circular: “Por volta dos 60 anos de idade, consegui afinal chegar a uma conclusão mais definitiva sobre qual é meu grande problema na vida: é que sou alérgico a seres humanos. Da grande maioria deles, pelo menos dos que fiquei conhecendo — dos outros bilhões e tanto não posso falar — não consigo agüentar a presença mais do que durante alguns segundos. Me dá uma aflição angustiada, uma vontade de fugir daquelas presenças. De outros consigo ficar perto por mais algum tempo, mas logo a situação também fica insuportável. Confesso que tenho um fraco por mulheres bonitas, mas nesse caso tudo o que acontece é que meu tempo de tolerância é um pouco maior. Logo, entretanto, estou aflito outra vez, por mais bela que seja a moça, e procuro escapar para longe.” (Renato Pompeu no romance-ensaio “O Mundo como obra de arte criada pelo Brasil”.)

Autor: - Categoria(s): Uncategorized Tags:
20/12/2007 - 08:07

Compartilhe: Twitter

Circular: “Por volta dos 60 anos de idade, consegui afinal chegar a uma conclusão mais definitiva sobre qual é meu grande problema na vida: é que sou alérgico a seres humanos. Da grande maioria deles, pelo menos dos que fiquei conhecendo — dos outros bilhões e tanto não posso falar — não consigo agüentar a presença mais do que durante alguns segundos. Me dá uma aflição angustiada, uma vontade de fugir daquelas presenças. De outros consigo ficar perto por mais algum tempo, mas logo a situação também fica insuportável. Confesso que tenho um fraco por mulheres bonitas, mas nesse caso tudo o que acontece é que meu tempo de tolerância é um pouco maior. Logo, entretanto, estou aflito outra vez, por mais bela que seja a moça, e procuro escapar para longe.” (Renato Pompeu no romance-ensaio “O Mundo como obra de arte criada pelo Brasil”.)

Autor: - Categoria(s): Uncategorized Tags:
20/12/2007 - 08:07

Compartilhe: Twitter

Circular: “Por volta dos 60 anos de idade, consegui afinal chegar a uma conclusão mais definitiva sobre qual é meu grande problema na vida: é que sou alérgico a seres humanos. Da grande maioria deles, pelo menos dos que fiquei conhecendo — dos outros bilhões e tanto não posso falar — não consigo agüentar a presença mais do que durante alguns segundos. Me dá uma aflição angustiada, uma vontade de fugir daquelas presenças. De outros consigo ficar perto por mais algum tempo, mas logo a situação também fica insuportável. Confesso que tenho um fraco por mulheres bonitas, mas nesse caso tudo o que acontece é que meu tempo de tolerância é um pouco maior. Logo, entretanto, estou aflito outra vez, por mais bela que seja a moça, e procuro escapar para longe.” (Renato Pompeu no romance-ensaio “O Mundo como obra de arte criada pelo Brasil”.)

Autor: - Categoria(s): Uncategorized Tags:
19/12/2007 - 09:10

Compartilhe: Twitter

Circular: “Há vozes parecidas com outras, que enganam muito, ainda quando a gente vai distraída. Há também ouvidos mal educados.” (Machado de Assis, “Relíquias de casa velha”)

Autor: - Categoria(s): Uncategorized Tags:
19/12/2007 - 09:10

Compartilhe: Twitter

Circular: “Há vozes parecidas com outras, que enganam muito, ainda quando a gente vai distraída. Há também ouvidos mal educados.” (Machado de Assis, “Relíquias de casa velha”)

Autor: - Categoria(s): Uncategorized Tags:
Voltar ao topo